Nasce uma Cidade
Mossoró, a exemplo de tantas
outras cidades do nordeste brasileiro,
surgiu quase que por acaso.
Nos primórdios da colonização, as cidades
surgiam naturalmente, sem pretensões, sem pressa. Em busca de bons pastos, já
que os terrenos a beira-mar estavam reservados para o plantio de cana-de-açúcar
(um dec
reto real de 1701 conservava as dez primeiras léguas - aproximadamente 65
Km - como área exclusivamente de agricultura), os homens adentravam os sertões,
tangendo o gado, fixando-se em fazendas. Com o tempo, as fazendas cresciam.
Então logo se doava um pedaço de terra para a construção de uma igreja; Terra
doada a Padroeira. E começavam a
surgir casas ao redor da igreja. Surgiam os povoados, as vilas, as cidades. A
Fazenda de gado foi responsável pela fixação da população no interior
nordestino. O relevo e
a vegetação
pouco densa das caatingas, permitiam a fixação do gado sem qualquer trabalho preliminar
de desbastamento do solo. Os afloramentos
salinos, comuns no interior
nordestino, serviam de lambedouros para o gado, fundamentais para a sua
alimentação. As fazendas geralmente eram construídas as margens de um rio. Não
necessitava de muita gente para o trabalho. Um só homem era suficiente para
cuidar de aproximadamente 250 cabeças de gado.
Com Mossoró o mesmo aconteceu. A princípio era a Fazenda
Santa Luzia, que pertencia, antes de 1739, ao Capitão Teodorico da Rocha. Por
volta de 1770, a posse da Fazenda
estava com o português Antônio de
Souza Machado, e foi por essa época que a fixação demográfica foi iniciada pela criação de gado,
oficina de carnes e extração do sal.
Em 1772, em cumprimento de promessa feita por intercessão
de Santa Luzia, Antônio de Souza Machado e sua mulher Rosa Fernandes, solicita a
Provisão das Dignidades do Cabido de Olinda/PE, autorização para construção de
uma capela em suas terras, permissão essa concedida a 5 de agosto de 1772, sendo
o primeiro ato litúrgico celebrado em 25 de janeiro de 1773, quando foi batizada
uma criança do sexo feminino, cerimônia essa oficiado pelo padre José dos Santos
da Costa. A construção da Capela de Santa Luzia é considerada o marco inicial
para o surgimento da Cidade de Mossoró.
Por quase 70 anos, a Capela de Santa Luzia permaneceu sobre
as ordens da freguesia de Apodi, até que em 27 de outubro de 1842, através da
Resolução 87, desvincula-se da cidade de Apodi, assumindo a posição de
freguesia, com a capela passando à igreja matriz.
Quanto ao topônimo Mossoró, existem algumas correntes
divergentes: Para o historiador Luís da Câmara Cascudo, Mossoró provém dos
cariris Monxorós ou Mossorós. Para Antônio Soares, Mossoró é corrutela de
mô-çoroc, vocábulo indígena que significa fazer roturas, o que rasga, rompe ou
abre fendas. "Aplica-se bem ao rio Mossoró, que rasgou ou rompeu a terra
marginal em diversos pontos, formando camboas". No mesmo trabalho, Antônio
Soares cita Miliet de Saint Adolfhe para quem o nome teria vindo de uns índios
aldeados nas proximidades da foz do Apodi, que seriam os Macarus (ou Maçarus).
Cita ainda Saldanhas Marinho, para quem "Mossoró" era corrutela de mororó,
árvore muito flexível, resistente e vulgar no norte. Quem tem razão não sabemos.
Sabemos sim que Mossoró ficou sendo desde 9 de novembro de 1870.
130 anos se passaram desde aquele longínquo 1870 e
Mossoró se torna a segunda maior
cidade do Rio Grande do Norte, com uma população beirando aos 300 mil
habitantes. E nesse período, várias manifestações populares aconteceram como a
Libertação dos Escravos em 30 de setembro de 1883, cinco anos antes da famosa
“Lei Áurea”, o movimento que ficou conhecido como “A Revolta das Mulheres”,
movimento popular contra a obrigatoriedade do alistamento militar e a defesa da
cidade contra o ataque dos cangaceiros chefiados pelo lendário “Lampião”, a 13
de junho de 1927. Não devemos esquecer também da grande conquista alcançada pela
professora Celina Guimarães Viana,
quando conseguiu na justiça o direito de ser a primeira mulher a exercer
o direito do voto na América Latina. E todas essas manifestações foram
registradas pelo jornal “O Mossoroense”, que desde 17 de outubro de 1872 vem
servindo de testemunha ocular da história de Mossoró.